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Cura do Concreto Usinado: O que é? Quais são os tipos de cura?

Cura do Concreto Usinado: O que é? Quais são os tipos de cura?

Tão importante quanto a qualidade do concreto a ser escolhido para a obra é o período de tempo em que realizamos a chamada cura do concreto. O cimento é um material composto basicamente de calcário e argila, a união destes dois componentes sob altas temperaturas gera o clínquer, que é o material principal da composição do cimento, responsável pela maior parte de suas propriedades, principalmente a resistência.

Ao adicionar água ao cimento, se inicia uma reação química chamada hidratação. A hidratação é uma reação exotérmica (libera calor) que transforma o clínquer em silicatos de cálcio hidratados (C-S-H), estes por sua vez, formam cristais rígidos ao longo do tempo e dão vida ao concreto como conhecemos. 

Por conta da alta liberação de calor durante a hidratação nos primeiros dias, a ação do vento, da umidade e da temperatura ambiente, a hidratação pode ser comprometida, gerando um concreto com resistência inferior ao esperado (de 30% a 50% menor que o projetado), além de apresentar fissuras que podem comprometer a armadura. Para que o concreto atinja a resistência esperada, realiza-se uma série de ações que tem por objetivo, manter a água no concreto durante o período de hidratação, desta forma a reação não é comprometida e as propriedades do concreto dimensionadas em projeto são mantidas.

Apesar de muitos profissionais associarem a cura somente a um período de tempo (em geral 7 dias), ela é na verdade o conjunto de ações realizadas para manter a água no concreto durante o período de hidratação, e essas ações podem ser feitas durante o período de tempo que for necessário para garantir que o calor de hidratação juntamente com fenômenos climáticos não retirem água do concreto.

Quando definimos um fator água/cimento para o concreto, precisamos garantir que a água colocada no início da concretagem permaneça até o fim da hidratação, essa água é chamada de água de amassamento. O objetivo de realizar a cura é portanto, manter a água de amassamento no concreto durante a hidratação, e como o calor de hidratação é mais intenso nos primeiros dias, a cura deve ser feita com mais rigor nesse período. Nada impede de manter o processo de cura até os 28 dias, no entanto, o calor de hidratação é menos intenso e a resistência adquirida ao realizar a cura por mais tempo não é tão significativa quando consideramos aspectos construtivos e econômicos. 

Concreto Usinado: O que é a pega do concreto?

Ao adicionar água ao cimento forma-se uma pasta que dará início a reação de hidratação, no entanto, a reação não ocorre instantaneamente, ela demora aproximadamente de 2 a 4 horas para começar, o momento exato onde ela se inicia é o que chamamos de início da pega do concreto.

E porque é importante saber o momento onde a reação se inicia? 

Quando se inicia a reação de hidratação, os cristais de sílica começam a se formar, portanto, não é interessante que o concreto sofra grandes perturbações, pois isso pode comprometer a sua resistência e propriedades, por isso, é importante adquirir concreto usinado em empresas próximas ao local da obra, evitando assim problemas com a perda de qualidade do concreto.

Concreto Usinado: Quais os tipos de cura?

Existem basicamente 3 tipos de cura utilizadas, a úmida, química e a térmica.

Cura do Concreto: Úmida 


A mais comum, utilizada na maioria das obras, ela consiste em molhar ou manter úmida a superfície do elemento estrutural, em geral, utiliza-se mangueiras para encharcar o concreto de tempos em tempos durante os 7 primeiros dias. Em alguns casos coloca-se areia úmida ou papelão encharcado por cima do concreto e mantem-se úmido durante o período de cura.

 

Cura do Concreto: Química 


Aquela que não permite que a água saia do concreto por meio de uma membrana plástica criada a partir de agentes a base de cera, acrílicos ou parafinas.

 

Cura do Concreto: Térmica 


Consiste em se aplicar vapor para acelerar a reação de hidratação e ao mesmo tempo manter a agua durante a hidratação, é bastante usada na indústria de pré-moldados/fabricados.

Concreto Usinado: Qual o tempo ideal de cura?

O tempo de cura depende de algumas variáveis, como por exemplo, as condições climáticas, o processo construtivo (pré-moldados, concretado no local da obra), a dimensão do elemento estrutural, entre outras. A concretagem feita em lugares muito frios tem cuidados diferentes em relação a feita em locais com temperaturas mais amenas ou quentes, nessas situações há a necessidade de agir em função de aumentar a temperatura do concreto para evitar que a agua congele e impeça a reação de acontecer. Em locais muito quentes, ou na concretagem de elementos muito robustos é usual resfriar a areia e a brita antes de misturar com a água e o cimento, além de adicionar gelo a mistura para controlar as altas temperaturas.

Para elementos pré-moldados, a cura pode ser realizada em poucos dias por conta da possibilidade de se utilizar a cura térmica, o processo controlado é mais caro que o usado no local da obra, porém tem a vantagem de ser mais rápido, o que vem a ser bastante interessante para a indústria de pré-moldados. A cura de elementos de placa (contrapisos e lajes) costuma ser feita utilizando a cura úmida, neste caso o tempo médio é de 3 a 7 dias para contrapisos, e de no mínimo 7 dias para as lajes, no caso de se optar por cura química, o período costuma ser o mesmo, com a diferença de não precisar se preocupar em molhar de tempos em tempos, basta aplicar o produto uma vez e esperar. Elementos menores como pilares e vigas em geral não necessitam cuidados especiais em relação a cura, exceto quando estes apresentam dimensões muito grandes.

De modo geral não há como definir qual o melhor processo de cura, o engenheiro responsável pela execução da obra deve estudar cada caso em particular, levando em conta aspectos climáticos, financeiros e as características de cada elemento estrutural, por exemplo, não é sensato utilizar a cura úmida para blocos de fundação muito grandes, pois a água colocada na superfície jamais chegará ao núcleo onde se concentram as maiores temperaturas. 

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Revisado por Eng. Bruno Reganati em 21 de fevereiro de 2019

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